quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Democracia no Brasil: o mito da soberania popular

Durante o final do período militar (1964-1985), o Congresso Nacional elegia através do voto indireto, os governantes. Ao fim da ditadura, a Nova República veio com a presidência de José Sarney, até então vice-presidente que assume o governo em decorrência da morte de Tancredo Neves. Sob seu governo, promulgou-se a Constituição de 1988, que instituiu um Estado democrático e uma república presidencialista, confirmada posteriormente no plebiscito de 21 de abril de 1993.
A forma de governo brasileiro inspira-se no modelo norte-americano: uma federação que se divide por estados. Porém, a forma de legislação é unitária, ou seja, o poder concentra-se no mais alto patamar (Presidente da República, que atua como Chefe de Estado e de Governo), enquanto nos Estados Unidos, o poder não está concentrado na presidência, e sim, no legislativo.
Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa, democracia significa “governo do povo; soberania popular”. A partir desta definição, concluímos que o Brasil é uma República Federativa Democrática. Porém, não podemos esquecer que a democracia depende do funcionamento de outros setores sociais para dar certo. Em outras palavras, o princípio democrático caracteriza-se por sua estrutura pluridimensional: a democracia surge com o aprofundamento democrático das ordens política, econômica, social e cultural. Mais do que “soberania popular”, a democracia depende da participação popular na vida política do país. E participação é a palavra-chave para o desencadeamento desta análise. Em épocas de eleições, uma esmagadora minoria dos cidadãos brasileiros preocupa-se em acompanhar as propostas levantadas pelos candidatos. Com exceção dos cargos majoritários, as pessoas esquecem facilmente dos candidatos em que votaram. E pelos próximos quatro anos, reclamam dos governos, mas a história se repete novamente nas próximas eleições. Se não há participação popular na vida política de um país, de nada adianta cobrar um governo justo. E assim, um governo eleito por cidadãos desleixados, comete a cada quatro anos erros que serão repetidos por mais quatro anos, gerando uma bola de neve antidemocrática.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Enquete bizarra elege piores e melhores da música em 2008

O G1 publicou hoje o resultado de uma enquete feita com leitores que elegeram os melhores e os piores da música em 2008. O resutado dessa enquete é absolutamente bizarro. Veja:

Clique na imagem para ampliarPrimeiramente, quem são Victor e Léo? E esse tal de D'Black?
RBD foi o melhor da música em 2008? Eu achava que RBD fosse uma novela mexicana.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O cinema está na pré-história ou Peter Greenaway é moderninho demais?

Estava lendo uma entrevista com o Peter Greenaway feita por Philippe Barcinski para a revista Bravo no ano passado, na qual o cineasta fala coisas muito interessantes sobre o cinema. De acordo com ele, o cinema nunca foi cinema e sim, textos ilustrados. Greenaway diz que é besteira transformar literatura em filmes, que é perda de tempo, já que o cinema não é sobre textos, mas sobre imagens. O cineasta também aponta o cinema como um “entretenimento emburrecedor”, o qual segue sempre os mesmos padrões e gêneros. Concordo até certo ponto. Não entendo de técnica, mas tenho senso visual e sei reconhecer uma boa obra e boas imagens dentro de uma boa obra. No entanto reconheço a falta de qualidade visual nas produções cinematográficas. Ainda de acordo com o Greenway, a maioria dos cineastas, até mesmo os donos dos maiores clássicos, são muito mais contadores de histórias do que cineastas. Mas é burrice concordar que um filme dispense uma boa história. Acredito que um bom filme seja uma junção de boas imagens + bom roteiro. Se dependesse apenas de imagens, então teríamos empacado na era do cinema mudo.
Greenaway tem idéias interessantes, porém muito estúpidas. Ele diz que o cinema é antiquado, pelo fato de não haver interação. “Você senta num lugar escuro, mas o homem não é um animal noturno. Você olha em uma só direção, mas o mundo todo está a sua volta. Se você assiste a um longa numa sala de projeção, fica parado por duas horas, algo que não fazemos nem dormindo.” Nunca li besteira tão grande sobre o cinema. Como seria interagir com o cinema? Realidade virtual? Greenaway, você é um cara que está além do seu tempo. Parabéns! A tecnologia pode até revolucionar o cinema, mas e a democracia, como fica nessa história? O “verdadeiro cinema” que a tecnologia vai criar, segundo Greenaway, vai ser uma tragédia. O cinema vai se tornar algo descartável, sem significado e direcionado apenas aos grandes estúdios. Se bem que muita gente não vê o cinema como eu vejo. As pessoas não param para ver um filme como param para ver uma desgraça ser noticiada na televisão. Elas querem cada vez mais filmes tolos.
São tantas besteiras que eu vou me poupar neste último parágrafo, dizendo apenas que eu fico triste quando penso que num futuro próximo, as imagens serão substituídas pelas palavras. Talvez esse seja o início da involução humana. Pensando bem, já começamos nosso processo de involução com todo esse lance de estética e beleza. No futuro, o mundo vai ser dos bonitos e Deus ajude a quem nascer feio. Aí o cinema vai ser tipo um meio de propaganda interativa, com imagens, muitas imagens – a cores, de preferência, porque preto e branco é antiquado demais para o novo modelo de cinema que Peter Greenaway sonha ver no futuro. Não dá pra entender como pode um cineasta com um nível cultural de Peter Greenaway ter essa visão sobre o cinema. Definitivamente não entendo.