terça-feira, 23 de novembro de 2010

Janela da alma: a importância da imagem na sociedade contemporânea

Os olhos nos permitem uma visão imediata. A interpretação daquilo que se vê só é possível se usarmos nossa capacidade de imaginação. Como uma pessoa com deficiência visual que não possui a capacidade de ver imediatamente consegue enxergar além do óbvio e, algumas vezes, muito mais do que alguém com uma visão perfeita? A interpretação de um deficiente visual é o que lhe permite enxergar. Cada um vê o mundo com seus próprios olhos (diz-se “olhos” metaforicamente, já que o cego enxerga mesmo sem o sentido da visão) a partir daquilo que se permite sentir. E é esta a idéia que o filme “Janela da Alma” de João Jardim e Walter Carvalho propõe. 

O ato de identificar, analisar e interpretar imagens na sociedade contemporânea se tornou obsoleto. Antes da fotografia, do cinema e da televisão, os livros permitiam que a imaginação criasse as imagens. Hoje, com o mundo saturado de imagens estáticas e/ou em movimento, em cores vivas e atraentes ou em preto e branco, perdeu-se o sentido de imaginar o que nunca foi visto, ou o que não está explícito e imediato. A banalização da imagem criou um bloqueio na visão do homem contemporâneo e usar somente os olhos para observar se tornou uma das principais características da modernidade. "Eu pedi para Deus me deixar um tempo cego, cego aparente. Porque olhando é tanta coisa ruim que a gente vê, que atrapalha a visão certa, a visão das coisas que a gente quer fazer na vida". Diz Hermeto, um dos personagens do documentário. 

A imagem na sociedade contemporânea é fundamental, tão fundamental que nos tornamos inteiramente dependentes das imagens imediatas, prontas e auto-explicativas. José Saramago diz que nunca estivemos tão perto da alegoria da caverna de Platão: “somos bombardeados por imagens de todo tipo, sombras que cremos reais.”

terça-feira, 13 de abril de 2010

Resenha: Bully



Bully (Larry Clark, 2001) não é nenhuma obra prima, mas vale por seu argumento. A abordagem concentra-se no Bullying, como o próprio título indica, e sobretudo na impulsividade de jovens alienados. O filme tem seu início com duas amigas entrando em um supermercado, onde conhecem dois rapazes, que as convidam para uma tarde na praia. Os rapazes, Marty (Brad Renfro) e Bobby (Nick Stahl), são amigos de infância, mas possuem uma relação bastante conturbada. Marty é maltratado por Bobby, na maior parte do tempo, e sofre calado com agressões físicas e verbais. 

Depois de conhecerem Aly (Bijou Phillips), a "prostituta mirim", e Lisa (Rachel Miner), a garota estranha e introvertida, os jovens amigos embarcam numa viagem trágica e sem volta. A narrativa começa a ficar interessante quando Lisa faz uma proposta a Martin. A partir daí, novos personagens surgem na trama. Um deles é Donnie, interpretado Michael Pitt (Funny Games, Boardwalk Empire). São estes personagens que, numa tentativa de parar as agressões contra Martin, acabam em um beco sem saída, cercados pela violência, tendo de enfrentar consequências tão extremas quanto seus atos.

Este é um bom filme, pois contém elementos muito atrativos e recorrentes no cinema atual: juventude, erotismo, drogas e violência. Para quem já viu Kids, Bully está faz o mesmo estilo.
 
Ficha Técnica:
Título original:
Bully Gênero: Drama
Tempo de Duração:
100 minutos
Ano de Lançamento (EUA):
2001
Site Oficial:
www.bullythemovie.com

IMDB: www.imdb.pt/title/tt0242193
Estúdio:
Le Studio Canal+ / Muse Productions / Blacklist Films / Gravity Entertainment / Lions Gate Films Inc.
Distribuição:
Lions Gate Films Inc. / Mais Filmes
Direção: Larry Clark
Roteiro:
Zachary Long e Roger Pullis, baseado em livro de Jim Schutze
Produção: Chris Hanley, Don Murphy, Fernando Sulichin e David McKenna

Música: Eminem
 

Fotografia: Steve Gainer Desenho de Produção: Linda Button Direção de Arte: Laura Harper Figurino: Carleen Ileana Rosado Edição: Andrew Hafitz

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Democracia no Brasil: o mito da soberania popular

Durante o final do período militar (1964-1985), o Congresso Nacional elegia através do voto indireto, os governantes. Ao fim da ditadura, a Nova República veio com a presidência de José Sarney, até então vice-presidente que assume o governo em decorrência da morte de Tancredo Neves. Sob seu governo, promulgou-se a Constituição de 1988, que instituiu um Estado democrático e uma república presidencialista, confirmada posteriormente no plebiscito de 21 de abril de 1993.
A forma de governo brasileiro inspira-se no modelo norte-americano: uma federação que se divide por estados. Porém, a forma de legislação é unitária, ou seja, o poder concentra-se no mais alto patamar (Presidente da República, que atua como Chefe de Estado e de Governo), enquanto nos Estados Unidos, o poder não está concentrado na presidência, e sim, no legislativo.
Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa, democracia significa “governo do povo; soberania popular”. A partir desta definição, concluímos que o Brasil é uma República Federativa Democrática. Porém, não podemos esquecer que a democracia depende do funcionamento de outros setores sociais para dar certo. Em outras palavras, o princípio democrático caracteriza-se por sua estrutura pluridimensional: a democracia surge com o aprofundamento democrático das ordens política, econômica, social e cultural. Mais do que “soberania popular”, a democracia depende da participação popular na vida política do país. E participação é a palavra-chave para o desencadeamento desta análise. Em épocas de eleições, uma esmagadora minoria dos cidadãos brasileiros preocupa-se em acompanhar as propostas levantadas pelos candidatos. Com exceção dos cargos majoritários, as pessoas esquecem facilmente dos candidatos em que votaram. E pelos próximos quatro anos, reclamam dos governos, mas a história se repete novamente nas próximas eleições. Se não há participação popular na vida política de um país, de nada adianta cobrar um governo justo. E assim, um governo eleito por cidadãos desleixados, comete a cada quatro anos erros que serão repetidos por mais quatro anos, gerando uma bola de neve antidemocrática.