domingo, 25 de novembro de 2007

Sessão alternativa

Na mesma década em que acontece o fim da idade industrial, o início da idade da informação e a legalização da maconha nos Países Baixos, surge um novo segmento da música eletrônica: o Trip Hop. Também conhecido como "música de Bristol", relativo à cidade da Inglaterra onde o gênero surgiu, o Trip Hop é uma espécie de música eletrônica lenta, marcada por batidas desaceleradas e uma mistura de instrumentos acústicos. Bastante influenciado por rítmos como jazz, dub e rock progressivo, as características variam de cada artista, abrindo um leque de opções para quem procura música alternativa de qualidade.
Uma das bandas mais conhecidas deste cenário é o Portishead,
que surgiu no ano de 1991 em Bristol, na Inglaterra e é formada por Geoff Barrow, Beth Gibbons e outros integrantes que tocavam em uma banda de jazz. Antes, a banda era considerada como lo-fi, e depois de certo tempo ocorreram modificações para que se encaixasse no estilo Trip Hop. O nome Portishead, surgiu a partir de uma idéia de Geoff, que nasceu numa cidade que possui o mesmo nome da banda.
O gênero também conta com nomes consagrados, como Björk (que se apresentou recentemente no Tim Festival), Gorillaz, Massive Attack e Goldfrapp.
Quem não se lembra do filme Beleza Roubada, de Bertolucci, onde a lindinha Liv Tyler interpreta uma jovem de 19 anos que viaja para a Itália após a morte da mãe e resolve ter um retrato seu esculpido. Pois é, Glory Box, uma das melhores canções do Portishead faz parte da trilha sonora.
A banda lançou três álbuns. Em 94, o Dummy; em 97, o Portishead; em 98, o Roseland NYC. E já está previsto mais um para 2008, provisóriamente intitulado de "3".

Pra fechar este post, um vídeo da música Over (uma das minhas favoritas), em uma apresentação da banda com a Orquestra Filarmônica de Nova Iorque (chique, hein?).


Site oficial da banda: http://www.portishead.co.uk
Site oficial Beth Gibbons: http://www.bethgibbons.com

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Citações

"Veja, tenha visão, isto é, faça um exame do capricho da informática nessa época de globalização, já que contigo mostraremos as verdadeiras caras. Maldita imprensa! Eu quero é um prensado já que estou cansado de quem não pensa." — Luciana Cristina Fieri
"O máximo que uma faculdade de jornalismo pode conseguir - mesmo supondo que ela injete em seus alunos um civilizado código de ética - é gerar jovens repórteres que fugirão do jornalismo tapando o nariz, assim que se familiarizarem com o que se passa dentro de uma típica redação de jornal." — H. L. Mencken

"A liberdade número um para a imprensa consiste em não ser ela uma indústria." — Karl Marx

As redações são laboratórios assépticos para navegantes solidários, onde parece mais fácil comunicar-se com os fenômenos siderais do que com o coração dos leitores. A desumanização é galopante — Gabriel García Márquez

— Ei, nada de jornalistas por aqui!
Pega o homem pelo braço e diz:
— Não se esqueça que jornalista se escreve com "jota" de justiceiro.
Do filme Alphaville, de Jean-Luc Godard

sábado, 20 de outubro de 2007

ENTREVISTA COM Mª CONCEIÇÃO PEREIRA

Itajaí, outubro 2007.
Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial e Gênero de Itajaí

Brasil, o país do carnaval, do samba, da bossa nova; país da diversidade. Índios, pardos, negros, amarelos e brancos dividem o mesmo espaço territorial. Mas a desigualdade é evidente e grita aos ouvidos de quem é assombrado pelo fantasma mais ultrapassado dos tempos modernos: o preconceito.
Santa Catarina é um dos estados da região sul que mais recebeu imigrantes europeus após a Independência. Contudo, o estado ainda é a região do país onde se concentra a maior parte da população de descendência européia.
Em Itajaí, os primeiros a colonizarem a cidade foram os portugueses vindo da Madeira e dos Açores, logo após, vieram os imigrantes alemães. Essa mistura de culturas é a principal característica da cidade.
Neste espaço ocupado por cerca de 5.866.568 habitantes, sendo a maioria branca, com 88,1%, e negros com 2,7% da composição da população catarinense, como fica a questão da diversidade? O negro adquiriu seu espaço ao lado da maioria descendente de europeus?
A entrevista com uma das líderes negras foi um meio que encontramos para entender a realidade da raça negra na sociedade itajaiense. Dividindo uma sala na prefeitura com outras três pessoas, Maria Conceição Pereira era uma das poucas negras ocupando um cargo de chefia dentre vários funcionários. A professora de educação física formada pela Universidade do Estado de Santa Catarina atualmente responde pela Coordenadoria da Promoção da Igualdade Racial e Gênero de Itajaí. O novo órgão foi criado no mandato do prefeito Volnei Morastoni e visa defender os interesses das classes marginalizadas da sociedade. Maria Conceição nos explica as dificuldades encontradas pelos negros em uma cidade que tem como fonte cultural apenas a açoriana.

Quando e por que razão foi criada a Coordenadoria da Promoção da Igualdade Racial e Gênero de Itajaí?
A Coordenadoria foi criada em outubro de 2004 e instalada em maio de 2005. O prefeito Volnei Morastoni sempre discutiu com os movimentos negros as causas raciais e quando foi presidente da Assembléia criou o programa Antonieta de Barros. Cumprindo os compromissos feito em campanha e visando a melhoria de vida das populações afros-descendentes de Itajaí o prefeito Morastoni instalou a Coordenadoria Municipal.

Qual o intuito da instalação da Coordenadoria no município?
Promover a igualdade racial já que as questões raciais tinham pouca visibilidade. A Coordenadoria olha junto com as secretarias como as questões raciais estão sendo tratadas no município. É uma assessoria do prefeito para a questão racial.

A Coordenadoria é um órgão fixo ou com a troca de prefeitos/partidos ela poderá fechar?
Por se tratar de uma Lei Municipal ela pode vir a ser desfeita. Mas a Coordenadoria criou o Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra órgão este permanente.

Quais foram os feitos alcançados pela Coordenadoria?
A criação do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra, a realização da 1ª Conferência de Promoção da Igualdade Racial que aconteceu em maio de 2005. Produção de material para as escolas, pesquisas e projetos. Hoje temos uma grande diversidade cultural implantada na Escola Aberta onde são praticados os esportes afro-brasileiros como a capoeira. Foi feito o 3º Fórum da Diversidade na Educação e há estudos para implantar uma política de saúde. Estamos planejando agora a 3ª semana da Consciência Negra no município.

No Censo 2000 foi detectado que a população autodeclarada preta está concentrada nas regiões do Sudeste e Norte do país. Já a população preta de SC representa 2,12% do restante nacional. O que esses padrões históricos de povoamento e ocupação étno-demográfico interferem na situação do negro itajaiense?
A parcela dos habitantes negros em Itajaí não é tão pequena, chegando a quase 13% da população (24 a 25 mil habitantes). Como a nossa cidade fica no meio de um vale colonizado por europeus essa população negra é praticamente invisível. Ela existe, mas se torna invisível. Quem olha de fora de Santa Catarina imagina que aqui não existam negros. E a população negra do Estado também não é tão baixa assim, comparando com outras regiões brasileiras é claro que Santa Catarina vai ter um baixo índice, mas dentro do Estado há um grande número de habitantes negros.

Como a cultura negra é retratada em uma cidade em que a maior representação de cultura é a açoriana?
Há uma grande dificuldade, grandes lutas. Pela primeira vez em toda a história de Itajaí temos um governo que admite existir o racismo e que é necessária uma luta pela igualdade. Os passos são lentos, mas pelo menos há uma caminhada. Itajaí vive um momento especial por ter a Coordenadoria que olha pelas questões raciais. Todas as escolas municipais trabalham bem a semana da Consciência Negra e já incluíram em seu currículo questões raciais. Acontece em algumas escolas a Kizomba, a nossa festa, mostrando para as crianças a cultura afro-brasileira.

Como a população entra em contato com a Coordenadoria e como é possível acompanhar o trabalho do órgão?
É muito importante isso, que a população veja o que está sendo feito. As pessoas podem vir até a Prefeitura, 2º andar ou telefonar direto para a Coordenadoria 3341-6148. Há também as reuniões do Conselho, sempre nas segundas terças-feiras de cada mês às 19 horas na sala de reunião da Secretaria de Comunicação. A Secretaria também fica no 2º andar no prédio da Prefeitura.

Quais são os planos para o futuro?
Estamos planejando um Fórum da Região Sul englobando os três estados para discutir as políticas de promoção da igualdade racial que estão sendo trabalhadas na nossa região. Além disso, queremos implantar a política da saúde e realizar a 3ª Semana da Consciência Negra de Itajaí.

Por Tamara Belizário e Sarah de Souza